Geração IPO

Uma nova forma de olhar para a economia digital
  17/03/2016
Gip

Fiz uma primeira divisão sobre tudo que vi nos 5 dias do SXSW INTERACTIVE. Vi conteúdos informativos – que podem ter uso imediato ou servir para nos apresentar o que não conhecemos – e conteúdos que criam novas perspectivas – que fazem olharmos tudo diferente.

Esse segundo grupo é daqueles que é impossível desaprender. É como se instalassem novos filtros ao nosso Instagram cerebral. Novos pontos de vista. O escritor e analista digital Brian Solis, em sua palestra sobre o futuro das marcas, atribuiu à PERSPECTIVA a base de toda inovação.

Além dele, outras figuras do primeiro escalão de pensadores da comunicação, tecnologia e economia, fizeram palestas sobre seus últimos ou próximos lançamentos das livrarias. Ou, no espírito deste texto, distribuíram atualizações de filtros para o Instagram biotech.

A palestra sobre O NOVO SISTEMA OPERACIONAL PARA A ECONOMIA DIGITAL, feita por Douglas Rushkoff, listado pelo MIT entre os 10 maiores influenciadores do mundo,  explora os efeitos da nova lógica do negócio digital sobre a economia.

As escolas de negócio americanas estão formando especialistas de I.P.O. e aquisição ao invés de gestores de negócio. O novo sonho americano é ter uma ideia que arrecade 1 bilhão em investimentos de Wall Street, com a promessa futura de geração de negócios. Essas empresas remuneram muito bem o investidor, não no bottomline do negócio, mas com a continua valorização das suas ações. Até aqui, tudo certo. É assim que funciona a nova economia.

No entanto, a repetição deste modelo está colocando o capitalismo industrial em cheque. O modelo até então vigente fazia com que dólar circulasse 3 a 5 vezes na economia até que virasse concentração de riqueza. A nova economia aspira bilhões de dólares sem nenhum efeito sobre a cadeia produtiva.

Ele compara este movimento à economia aristocrática do século XIII cuja consequência é a concentração extrema de riqueza e falência do mercado – onde os consumidores perdem todo poder de consumo.

Talvez esta seja mais uma daquelas profecias fadadas a serem desmentidas pela história. Mas seu alarmismo causa uma reação importante: transfere a responsabilidade a todos que, com esse filtro instalado, passam a buscar alternativas para ”re-regular” o mercado.

Tiago Afonso é CMO da Editora Abril

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