Fórum Revolução do Novo, de EXAME e VEJA, destaca o poder transformador da era digital

A iniciativa conta com três eventos, e o primeiro, com o tema A Transformação das Pessoas, reuniu pensadores, gestores e grandes nomes da comunicação
  19/01/2017
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As revistas EXAME e VEJA, da Abril, realizaram nesta terça-feira (17/1) a primeira edição 2017 do Fórum “A Revolução do Novo” - As Transformações das Pessoas, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. O evento, dividido em três blocos – “Comportamento na era digital”, “A revolução da ética” e “Novo consumo” – contou com patrocínio da Coca-Cola e reuniu CEOs de grandes empresas. Também participaram jornalistas das duas marcas, como os próprios diretores de redação, André Lahoz (de EXAME) e André Petry (de VEJA).

Na abertura, André Petry destacou que a chamada "era digital" representa uma transação histórica, uma vez que as pessoas são influenciadas pela internet no modo de viver, se divertir, trabalhar, comprar e consumir. “A mudança é tectônica. Discutir essas questões que fazem mudança na política, na economia e na sociedade brasileira é o propósito desse evento”, disse Petry. André Lahoz complementou: “O mundo passa por um momento de transformação vertiginosa em muitas frentes, e muitas vezes ficamos perdidos com tanta mudança. Daí a ideia de uma parada para reflexão – não para encontrar todas as respostas, mas ao menos para fazermos as perguntas corretas”.

 

Comportamento na era digital

O historiador da Unicamp Leandro Karnal abriu o bloco “Comportamento na era digital” com a palestra: “Como as redes sociais aproximam e distanciam as pessoas”. Ele explicou que não há uma resposta clara para essa relação, pois as plataformas permitem diferentes tipos de manifestações e comportamentos. “Há diferentes formas de comunicação que passam de geração para geração. A internet não aproxima ou distancia as pessoas, mas as torna diferentes”, afirmou.

Karnal também ressaltou que a geração Baby Boomer, de 45 a 65 anos, atualmente é quem está no poder, porém convive com um problema que não é vivenciado pelos jovens, muitas vezes subestimados pelos mais experientes. “É preciso parar de construir a melancolia dourada. Dou aula há 34 anos, e meus alunos não são menos inteligentes. Eles são diferentes, são menos capazes da análise prolongada de um texto do Padre Vieira. Mas são capazes de ler várias coisas ao mesmo tempo e de uma percepção muito rápida”.

Em relação às perspectivas futuras, Karnal foi enfático. “Nada sabemos sobre o futuro. Não temos a menor ideia do que virá, mas podemos questionar as perguntas. É certo que as pessoas mais bem preparadas estarão em melhores posições. Independentemente da situação que enfrentarmos, a tempestade vem para todos e a reação é distinta”, completou. O historiador destacou ainda que há um grande defeito na comunicação do mundo contemporâneo, como “a existência de facções que não se comunicam. Ninguém mais responde ninguém porque ninguém mais escuta ninguém”, ressaltou.

Luis Olivalves, diretor de parcerias para a América Latina do Facebook, abordou o tema “Já olhou o seu feed de notícias hoje?”. De acordo com o executivo, a rede social concentra um volume de 1,8 bilhões de pessoas ativas por mês no mundo todo. O Messenger conta com mais de 1 bilhão de usuários ativos, assim como o WhatsApp. Já o Instagram possui 600 milhões.

Durante sua palestra, Olivalves também apresentou uma pesquisa realizada pela Reuters, com 50 mil leitores de 26 países. O estudo revelou que 53% usam o smartphone para produzir conteúdo e 51% veem o Facebook como principal fonte de notícias. Além disso, ele alertou que são consumidas por dia, no Facebook, mais de 100 milhões de horas de vídeos, e 2 bilhões de mensagens por imagens são enviadas via Messenger. “No Messenger e no WhatsApp trafegam mais mensagens por dia do que todas as operadoras de celulares juntas no mundo. Um terço dessas comunicações são feitas por meio de emojis. Uma simples imagem significa uma frase inteira”, revela Olivalves.

 

A revolução da ética

Abrindo o segundo bloco do Fórum – A Revolução da Ética –, Eduardo Giannetti, economista e filósofo, tratou do tema “A tolerância zero com desvios de conduta veio para ficar?”. Em sua opinião, em certos momentos há um colapso da ética, como no caso do Furacão Katrina, nos Estados Unidos, em 2005. “Situações como essa mostraram ao mundo que, diante de uma catástrofe, o verniz da civilização pode ruir e levar a comportamentos de transgressão generalizada com muita violência: saques e estupros. Não há precedentes de uma sociedade que tenha dormido corrupta e acordado virtuosa”, refletiu.

Na sequência, o consultor Andréas Pohlmann participou de um talk-show mediado por André Petry. Dentre os principais temas abordados, o executivo destacou como encontrar o equilíbrio dos negócios nas relações de compliance. “Já tivemos que congelar os negócios com intermediários até que eles fossem transparentes. É preciso pensar em obter novos acessos e criar novos mercados”, alertou.

Quando indagado por Petry se o Brasil é um dos países mais corruptos do mundo, Pohlmann enfatizou que o país tem problemas como quaisquer outros, mas precisa buscar expandir suas relações. “É preciso usar experiências além das fronteiras para definir as regras. Se você quer algo limpo e transparente, então não faça concessões”, declarou o executivo.

 

O novo consumo

O último bloco contou com a participação de Marcos de Quinto (chief marketing officer da Coca-Cola), Julio Zaguini (diretor para desenvolvimento de negócios do Google) e Helio Mattar (presidente do Instituto Akatu). Na palestra, a liberdade de escolhas, de Quinto, abordou cases que motivaram o reposicionamento de marca da Coca-Cola, conforme veiculado recentemente na mídia. “O bom marqueteiro é como um bom alfaiate, que se adapta aos diversos tipos de clientes”, enfatizou.

Logo em seguida, Helio Mattar participou de uma sabatina mediada por André Lahoz. Em “Os impactos da inovação”, Zaguini apresentou dados de como a inteligência artificial e o smartphone influenciam no comportamento das pessoas. Ao final do evento, Alecsandra Zapparoli, publisher da Abril Mídia, e Henrique Braun, presidente da Coca-Cola, agradeceram ao público. Braun destacou que o encontro é importante não apenas para o desenvolvimento do seu negócio, mas também para o desenvolvimento do país.

O Fórum “Revolução do Novo” terá mais duas edições ainda este ano. Em março será debatida “A transformação das empresas”, enquanto que em maio acontecerá “A transformação do mundo”, em datas a serem marcadas

 

Marcas envolvidas

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